Resenha por @BelLarie_
A Menina de Vidro foi um dos melhores livros que eu li até hoje, porque é aquela trama que envolve, dá euforia, minutos de reflexão durante e após a leitura, mexe com a sensibilidade.
Foi o segundo livro de
Jodi Picoult que eu li (o primeiro foi A Guardiã da Minha irmã, livro que deu origem ao filme "Uma prova de amor". Inclusive, já fiz a resenha desse livro aqui! ;-) ). Ela manteve praticamente a mesma estrutura da "Guardiã"; Uma família em desequilíbrio, buscando o restabelecimento, uma irmã mais velha com problemas de autoafirmação e atitudes rebeldes, frustrada por ter sido deixada de lado pelos pais que estão envolvidos nos problemas de saúde de Willow, uma garotinha fantástica de apenas 5 aninhos e que tem uma doença grave e rara: A Osteogênese Imperfeita, que faz com que ela ossos extremamente frágeis.
Essa doença faz com que
Willow não consiga levar uma vida normal, como de qualquer criança da idade dela. Se ela tropeçar e cair, por exemplo, pode passar meses envolvida numa tala ortopédica. Por causa disso, a mãe da menina,
Charlotte, abre mão do seu emprego de Chefe de confeitaria para se dedicar apenas aos cuidados com a Willow. O pai,
Sean, permanece em seu emprego como policial, sendo o único responsável pelas despesas da família. O problema é que com tantos cuidados médicos, eles começam a ter diversas dificuldades financeiras. E é aí que Charlotte decide por em prática o conselho que havia recebido de dois advogados: Processar a obstetra por nascimento indevido e, diante do júri, afirmar que gostaria que a filha nunca tivesse nascido. Mas há um grande problema nisso: A obstetra,
Dr. Piper, é sua melhor amiga.
Charlotte fica confusa entre manter o elo com Piper e a harmonia com toda a família, de ambas as partes, ou... Processar a médica e obter estabilidade financeira garantindo um futuro tranquilo para sua filha caçula.
Há uma curiosidade que eu percebi quando, ao final da minha leitura, fui procurar opiniões de outras pessoas que haviam lido A Menina de Vidro. Eu achei poucas, mas as poucas que eu li, todas as pessoas diziam que não haviam simpatizado com Charlotte. Na verdade, além da Willow e da
Amélia, a irmã mais velha, nenhum deles me cativou de verdade. Por um lado, eu entendia as necessidades da mãe e percebia o quão real e próxima da gente ela é; Mulher determinada, de pulso firme, exposta, cheia de conflitos e muito vulnerável. No fundo, todo mundo tem medo de assumir suas fragilidades e por isso (pode ser isso, não estou generalizando) a dificuldade em assumir qualquer afinidade com ela. Já Sean, que se recusou a ajudar a esposa no processo e até depôs contra ela, eu achei que faltou exatamente o que sobrava em Charlotte, pulso firme. E o achei um pouco egoísta, além de orgulhoso. A advogada
Marin, por vezes eu pensei: Qual a necessidade de coloca-la narrando o problema pessoal dela? No fim, eu descobri que estava sim dentro de total contexto e consegui sentir solidariedade a ela. Pra ser sincera, chorei junto com ela. Com a Piper eu senti pena o tempo todo. Ela era uma boa amiga - Isso sem entrar no mérito se houve ou não falha dela como médica.
Outro ponto interessante do livro é que as vezes, antes/depois da narrativa da Charlotte, ela colocava receitas dos doces que fazia quando trabalha com confeitaria e dava dicas que lincavam a vida com a preparação:
"Não é de surpreender que, na preparação de pães, como na vida, o custo do crescimento envolva sempre um pouco de violência." (Pág.389, receita de Rolinhos úmidos de domingo. )
O final do livro é algo surpreende, tocante e muito, muito reflexivo. Vale a pena cada página, podem acreditar! ;-)