Resenha: Vidas Secas, Graciliano Ramos

08 agosto 2019

Por Alexandre Tiago

Antes de começar essa resenha quero fazer a seguinte perguntar à vocês: Vocês tem costume de reler seus livros favoritos? Eu tenho! Já reli várias vezes "A Metamorfose" do Franz Kafka, "Fahrenheit 451" do Ray Bradbury, "Confesso que Vivi" do Pablo Neruda e outros. Mas se tem um livro que para mim é impactante para mim toda vez que vou reler esse livro é "Vidas Secas" do Graciliano Ramos. Reli esse livro no início de agosto de 2019.

Vidas Secas Graciliano Ramos
O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro. Apesar desse sentimento de transbordante solidariedade e compaixão com que a narrativa acompanha a miúda saga do vaqueiro Fabiano e sua gente, o autor contou: "Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão... os meus personagens são quase selvagens... pesquisa que os escritores regionalistas não fazem e nem mesmo podem fazer ...porque comumente não são familiares com o ambiente que descrevem...Fiz o livrinho sem paisagens, sem diálogos. E sem amor. A minha gente, quase muda, vive numa casa velha de fazenda. As pessoas adultas, preocupadas com o estômago, não tem tempo de abraçar-se. Até a cachorra [Baleia] é uma criatura decente, porque na vizinhança não existem galãs caninos". VIDAS SECAS é o livro em que Graciliano, visto como antipoético e anti-sonhador por excelência, consegue atingir, com o rigor do texto que tanto prezava, um estado maior de poesia.
ISBN-13: 9788501067340
ISBN-10: 8501067342
Ano: 2005 / Páginas: 175
Idioma: português
Editora: Record
"Vidas Secas" do Graciliano Ramos foi publicado originalmente, há 81 anos, em 1938. Mas foi só há 11 anos, em 2008, no meu último ano do ensino fundamental que eu li esse livro pela primeira vez. Esse livro foi uma leitura obrigatória para ler e compreender a seca que existe no sertão nordestino pois íamos fazer uma peça de teatro com base nesse livro e na Guerra de Canudos abordada no livro "Os Sertões" do Euclides da Cunha.

A leitura me impactou do início ao fim com sua espetacular narrativa com uma linguagem simples que faz a gente se emocionar do início ao fim. Apesar de o livro ser áspero, posso dizer que me senti como se estivesse acompanhando a vida dura de uma família composta por Fabiano, Sinha Vitória, Menino Mais Velho, Menino Mais Novo e a cachorra Baleia.

Esse livro se divide em episódios que retratam a fuga dessa família da seca. E essa seca não é apenas de sede e fome, mas também, de fugir da marginalidade. O que mostra que esse ciclo da seca não acontece só no livro mas também constantemente como podemos ver por exemplo na bela e impactante pintura "Os Retirantes" de Candido Portinari e também  em muitas músicas do Luiz Gonzaga como por exemplo a excelente música "A Vida de Viajante" que diz "Minha vida é andar por este país Pra ver se um dia descanso feliz."

Apesar da vida no sertão nordestino ser difícil ela nos ensina a compaixão diante das dificuldades e sentimos isso pelos protagonistas de "Vidas Secas" pois buscamos todos dias felizes independente do lugar que está.

Li e recomendo esse espetacular livro. E vocês, já leram Vidas Secas? Comentem! Vamos conversar!

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Alexandre Tiago
"Meu nome é Alexandre Tiago, tenho 25 anos, sou um rapaz latino-americano, humanista, pacifista, estudante de Direito e dono do Instagram Cultural @blog_estante_artistica" {https://www.instagram.com/blog_estante_artistica/}mas que ama conversar, ouvir minha coleção de cds, ver filmes, ler livros e que busca fazer um traço entre a vida, os sonhos e a arte.


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